Camila pediu orçamento de tráfego pago para três agências no mesmo mês. Recebeu três respostas: R$ 1.500 por mês, R$ 30 por dia, e "começa com R$ 2 mil que a gente vai ajustando depois". Nenhuma das três perguntou quanto a clínica dela fatura, quanto custa trazer um paciente novo ou quantas pessoas respondem o WhatsApp da recepção.
Ela ficou com a do meio, por ser a mais barata. Rodou quatro meses. Os leads chegaram, o painel do gerenciador mostrava número subindo todo dia, e o faturamento continuou exatamente onde estava.
Camila é um personagem hipotético, mas as três respostas são o padrão do mercado. O problema de um valor sem conta atrás não é ele ser alto ou baixo demais. É que ninguém consegue dizer qual dos dois ele é.
Este artigo mostra a conta que transforma a sua meta de faturamento em verba de anúncio. E mostra os dois testes que esse número precisa passar antes de virar campanha: se o cliente que ele compra cabe na sua margem, e se o seu comercial dá conta do volume que ele traz.
Por que "quanto devo investir" chega fora de ordem
A pergunta parece simples porque parece ter uma resposta de mercado. Ela não tem. Verba de anúncio não é preço de tabela, é consequência de quatro números que só existem dentro do seu negócio.
A pergunta pressupõe um valor certo que não existe
Quem pergunta quanto investir espera ouvir uma faixa, do jeito que se pergunta quanto custa um site. A comparação não funciona. Duas clínicas na mesma rua, com o mesmo serviço, precisam de verbas diferentes se uma fecha uma venda a cada cinco orçamentos e a outra fecha uma a cada vinte.
A primeira compra cinco contatos para faturar o mesmo que a segunda fatura comprando vinte. A diferença não está no anúncio. Está no que acontece depois que o lead chega.
O número que vem de fora não conhece a sua operação
Uma agência que responde "R$ 30 por dia" antes de perguntar qualquer coisa está respondendo pela média dos clientes dela, não pelo seu caso. Às vezes a média acerta. Quando erra, erra para os dois lados, e os dois custam dinheiro.
Verba abaixo do necessário gasta o mês inteiro sem chegar perto da meta, e ainda produz volume pequeno demais para você aprender qualquer coisa com o resultado. Verba acima da conta compra mais leads do que a sua equipe consegue atender, e lead não atendido não é investimento parado: é dinheiro já gasto que foi para o concorrente.
Os dois sinais de que a verba foi chutada
O primeiro sinal é o valor redondo. R$ 1.000, R$ 50 por dia, R$ 3 mil. Contas de verdade quase nunca fecham em número cheio, porque elas partem do seu ticket médio e da sua taxa de conversão, que não são redondos.
O segundo sinal é a ausência de pergunta. Se ninguém quis saber o seu faturamento, o seu ticket e quantas pessoas atendem, o número não saiu de uma conta. Saiu de um hábito.
A conta que parte da meta
A conta certa percorre o caminho ao contrário. Em vez de começar no quanto você pode gastar, ela começa no quanto você quer faturar, e desce até a verba. São três passos, e cada um usa um número que você já tem ou pode medir em uma tarde.
Camila quer que o anúncio gere R$ 60 mil por mês. O ticket médio da clínica é R$ 800. De cada cem pessoas que pedem orçamento, quinze fecham. E o contato interessado, naquele mercado e naquela cidade, custa cerca de R$ 18.
Passo 1: quantos clientes a meta exige
Divida a meta pelo ticket médio. Os R$ 60 mil de Camila, divididos pelos R$ 800 que cada paciente deixa, pedem 75 clientes novos no mês.
Esta é a única parte da conta que não depende de estimativa. Se você não souber o seu ticket médio com segurança, pegue o faturamento do mês passado e divida pelo número de clientes que compraram. Se o que você vende é serviço e o preço varia muito, a conta de preço de serviço resolve isso antes.
Passo 2: quantos leads produzem esses clientes
Divida os clientes pela taxa de conversão do comercial. Com 15% de conversão, os 75 clientes de Camila exigem 500 leads entrando no mês.
Esse é o número que mais mexe no total, e é o que quase ninguém mede. Uma conversão de 15% para 10% transforma os mesmos 75 clientes em 750 leads, e a verba sobe junto. Antes de aumentar o investimento, vale conferir se o gargalo está no anúncio ou no atendimento.
Passo 3: quanto custa comprar esse volume
Multiplique os leads pelo custo por lead do seu canal. Os 500 leads de Camila, a R$ 18 cada, somam R$ 9 mil por mês, o que dá R$ 300 por dia nos trinta dias.
Daí sai também o número mais importante da conta: R$ 9 mil divididos por 75 clientes significa que cada paciente novo custa R$ 120 para entrar. Guarde esse valor, porque é ele que vai ser testado na próxima seção.
-
Passo 1
Meta do mês
R$ 60.000
o que o anúncio precisa gerar
-
Passo 2
Clientes
75
meta dividida pelo ticket de R$ 800
-
Passo 3
Leads
500
clientes divididos pela conversão de 15%
-
Passo 4
Verba
R$ 9.000
leads vezes o custo de R$ 18 cada
O cliente cabe na margem?
Custa R$ 120 e a margem paga até R$ 320.
O comercial dá conta?
São 23 leads por dia para 3 pessoas.
Exemplo com valores ilustrativos. A verba sai da cadeia, e só vale depois de passar pelos dois testes de baixo.
A conta inteira cabe numa linha: verba é igual à meta dividida pelo ticket, dividida pela conversão, multiplicada pelo custo por lead. Troque pelos seus números abaixo.
Faça a conta com os números do seu negócio
Preencha os quatro primeiros campos. O resto afina a conta e liga os dois avisos: se o cliente comprado cabe na sua margem, e se o seu comercial dá conta do volume.
Quanto você quer que o anúncio gere, não o faturamento total da empresa.
Receita total do mês passado dividida pelo número de clientes que compraram.
De cada 100 pessoas que pedem orçamento, quantas fecham. Se nunca mediu, comece por 10%.
O que você paga por cada contato interessado. Quem já anuncia tem esse número na conta de anúncios.
Verba do mês passado dividida pelos clientes que ela trouxe. Só a verba de anúncio: somar salário do comercial e ferramentas dá outro número, bem maior, que não serve para dimensionar mídia. Por este caminho a conversão deixa de mexer na verba e passa a mexer só no volume de leads, porque o custo por cliente já embute a conversão de hoje.
Teste 1: o cliente cabe na sua margem? cabe
Quanto sobra do ticket depois dos custos que só existem quando a venda acontece. É o que define o teto do seu CAC.
Cada cliente custa R$ 120 e a margem paga até R$ 320. Sobra R$ 200 de folga por cliente.
Teste 2: seu comercial dá conta? dá conta
Quem atende lead de verdade. Se é só você, escreva 1.
O anúncio roda nos 30 dias. O comercial, não. A diferença entre os dois é onde o lead espera.
22,7 leads por dia de atendimento para 3 pessoas, ou 7,6 por pessoa. A faixa de referência vai de 3 a 12.
Verba mensal indicada
R$ 9.000
R$ 300 por dia, nos 30 dias do mês
O cliente que esta verba compra cabe na sua margem, e o seu comercial dá conta do volume que ela traz.
- Clientes necessários
- 75
- Leads necessários
- 500
- Custo por cliente
- R$ 120
- Custo por lead
- R$ 18
Isto é aritmética sobre os números que você informou, não previsão de resultado. O custo por lead muda por região, por segmento e por mês, e a conversão do seu comercial é o número que mais mexe no total.
Abrir esta conta na página da calculadora para ajustar com calma e copiar o link do resultado.
O número que quase todo mundo chuta
Dos quatro números da conta, três são medidos: meta, ticket e conversão. O quarto é onde a conta costuma desandar, porque ele é frequentemente substituído por uma preferência.
CAC desejado não é CAC
Existe uma pergunta comum em reunião de tráfego pago: "quanto você está disposto a pagar por cliente?" A pergunta é educada e a resposta é inútil. Disposição é preferência, não restrição.
O dono quase sempre responde um valor baixo, porque é o que qualquer pessoa responde quando perguntam quanto quer pagar por alguma coisa. Se esse número entra na conta, a verba que sai dele é ficção com cara de projeção. O cliente não custa o que você gostaria que custasse. Ele custa o que o leilão de anúncios cobra, dividido pela sua taxa de conversão.
CAC e CPL não são a mesma coisa
Custo por lead é quanto você paga por um contato interessado. Custo de aquisição de cliente, o CAC, é quanto você paga por alguém que de fato comprou. Entre os dois está a taxa de conversão do seu comercial. Com 15% de conversão, um lead de R$ 18 produz um CAC de R$ 120, porque foram necessários quase sete contatos para fechar uma venda.
Confundir os dois é o erro mais caro desta conta. Quem acha que está pagando R$ 18 por cliente está na verdade pagando R$ 120, e vai descobrir isso olhando o extrato, não o gerenciador.
O CAC máximo é o que a sua margem aguenta
Existe um teto, e ele não é opinião. É o quanto sobra de cada venda depois dos custos que só existem porque a venda aconteceu: produto, comissão, material, taxa de cartão. Essa sobra é a margem de contribuição, e ela é o limite do que você pode pagar por um cliente.
Na clínica de Camila, 40% de margem sobre um ticket de R$ 800 dão R$ 320. O CAC projetado foi R$ 120. Cabe, com folga. Se a conversão caísse para 8% e o lead subisse para R$ 36, o mesmo cálculo devolveria um CAC de R$ 450, acima do teto. A partir daí, cada cliente novo entraria dando prejuízo, e vender mais só aceleraria a conta. Margem de contribuição é um dos números que decidem se a empresa sobrevive, e aqui ela decide o teto da verba.
A mesma clínica com a conversão em 8% e o lead a R$ 36
Preencha os quatro primeiros campos. O resto afina a conta e liga os dois avisos: se o cliente comprado cabe na sua margem, e se o seu comercial dá conta do volume.
Quanto você quer que o anúncio gere, não o faturamento total da empresa.
Receita total do mês passado dividida pelo número de clientes que compraram.
De cada 100 pessoas que pedem orçamento, quantas fecham. Se nunca mediu, comece por 10%.
O que você paga por cada contato interessado. Quem já anuncia tem esse número na conta de anúncios.
Verba do mês passado dividida pelos clientes que ela trouxe. Só a verba de anúncio: somar salário do comercial e ferramentas dá outro número, bem maior, que não serve para dimensionar mídia. Por este caminho a conversão deixa de mexer na verba e passa a mexer só no volume de leads, porque o custo por cliente já embute a conversão de hoje.
Teste 1: o cliente cabe na sua margem? não cabe
Quanto sobra do ticket depois dos custos que só existem quando a venda acontece. É o que define o teto do seu CAC.
Cada cliente custaria R$ 450 e a margem paga até R$ 320. A conta fecha no anúncio e não fecha no caixa.
Teste 2: seu comercial dá conta? equipe afogada
Quem atende lead de verdade. Se é só você, escreva 1.
O anúncio roda nos 30 dias. O comercial, não. A diferença entre os dois é onde o lead espera.
42,6 leads por dia de atendimento para 3 pessoas, ou 14,2 por pessoa. A faixa de referência vai de 3 a 12.
Verba mensal indicada
R$ 33.768
R$ 1.126 por dia, nos 30 dias do mês
Esta verba não cabe na sua margem e afoga o seu comercial. Os dois testes mostram o número e a saída.
- Clientes necessários
- 75
- Leads necessários
- 938
- Custo por cliente
- R$ 450
- Custo por lead
- R$ 36
Isto é aritmética sobre os números que você informou, não previsão de resultado. O custo por lead muda por região, por segmento e por mês, e a conversão do seu comercial é o número que mais mexe no total.
Abrir esta conta na página da calculadora para ajustar com calma e copiar o link do resultado.
Seu comercial dá conta dos leads que essa verba compra?
A conta fechou e o CAC cabe na margem. Falta o teste que quase nenhuma proposta faz: perguntar se existe gente suficiente para atender o que essa verba vai trazer.
A verba que afoga
Os 500 leads de Camila, distribuídos em 22 dias de atendimento, dão quase 23 contatos por dia. A clínica tem três pessoas na recepção, o que significa cerca de oito leads por pessoa por dia, além do atendimento presencial que elas já fazem.
Oito é administrável. Vinte e três, para uma pessoa só, não é. E quando o volume passa do que a equipe absorve, o efeito não é fila: é lead respondido tarde, que converte menos do que o mesmo lead respondido na hora. A verba continua saindo, e a taxa de conversão que alimentou a conta começa a cair, o que torna a própria conta otimista demais.
A verba que deixa gente parada
O erro contrário aparece com a mesma frequência e é mais difícil de enxergar. Uma empresa com dez vendedores que investe R$ 100 por dia, com lead a R$ 18, recebe pouco mais de cinco contatos diários. São cinco oportunidades para dez pessoas.
Nesse cenário o anúncio não está caro. Está irrelevante. O custo não aparece no extrato do cartão, aparece na folha de pagamento, e ninguém vai associar os dois.
Os leads chegam no domingo, o comercial volta na segunda
Anúncio roda trinta dias por mês. Comercial trabalha vinte e dois. A diferença não é detalhe de calendário: o lead que entra sexta à noite espera até segunda de manhã, e é o mesmo lead que a conta tratou como se tivesse sido atendido na hora.
Essa é a lacuna onde o orçamento some sem o cliente dizer não. Quem resolve isso não precisa de mais verba. Precisa de uma resposta automática que segure o contato, ou de uma escala que cubra o fim de semana.
| Cenário | Leads no mês | Verba mensal | Custo por cliente | Leads por vendedor ao dia |
|---|---|---|---|---|
| O plano no papel | 500 | R$ 9.000 | R$ 120 | 7,6 |
| O lead custa o dobro | 500 | R$ 18.000 | R$ 240 | 7,6 |
| A conversão cai para 8% | 938 | R$ 16.884 | R$ 225 | 14,2 |
| As duas coisas juntas | 938 | R$ 33.768 | R$ 450 acima do teto de R$ 320 | 14,2 |
Valores de exemplo, para mostrar a conta funcionando. Use a calculadora de verba de tráfego pago com os números do seu negócio.
O que os dados mostram
Duas afirmações deste artigo não são opinião de quem trabalha com tráfego pago. Uma vem de uma auditoria publicada pela Harvard Business Review, a outra está escrita na documentação da própria Meta.
A empresa média demora muito mais do que imagina
Um estudo publicado pela Harvard Business Review em 2011, assinado por James Oldroyd, Kristina McElheran e David Elkington, auditou 2.241 empresas americanas enviando pedidos de contato pelo site e medindo quanto tempo cada uma levava para responder.
O tempo médio da primeira resposta foi de 42 horas. Só 37% responderam dentro de uma hora. E 23% não responderam nunca. Note que são empresas que pagaram para gerar aquele contato.
Responder tarde não atrasa a venda, reduz a chance dela
O mesmo estudo comparou a chance de qualificar um lead conforme o tempo de resposta. Empresas que responderam dentro de uma hora tinham sete vezes mais chance de qualificar o contato do que as que responderam depois disso, e sessenta vezes mais chance do que as que demoraram mais de um dia.
Esse número conversa diretamente com a seção anterior. Quando a verba traz mais lead do que a equipe atende, não é só o lead excedente que se perde: o tempo de resposta sobe para todo mundo, e a taxa de conversão que você usou na conta deixa de valer.
Verba pequena demais não ensina o algoritmo
A Meta publica na Central de Ajuda para Empresas que um conjunto de anúncios entra em aprendizado limitado quando é improvável que receba cerca de 50 eventos de otimização na semana seguinte à última edição significativa. Entre as causas que a própria Meta lista está, com todas as letras, o orçamento baixo. Entre as soluções que ela recomenda está aumentar o orçamento.
Isso tem uma consequência prática que raramente é dita na reunião: abaixo de um certo volume, o custo por lead que você mede na primeira semana não significa muita coisa. O sistema ainda está procurando, e você está lendo um número instável como se fosse diagnóstico.
Faça isso agora
Separe quinze minutos e junte quatro números do mês passado: o faturamento, quantos clientes compraram, quantas pessoas pediram orçamento e quantas fecharam. Os dois primeiros dão o seu ticket médio. Os dois últimos dão a sua taxa de conversão.
Falta um quinto, e é ele que separa conta de desejo: quanto custou trazer gente. Serve qualquer um dos dois. O custo por lead quem já anuncia lê no gerenciador da conta de anúncios. O custo por cliente sai da verba do mês passado dividida pelos clientes que ela trouxe.
Com esses números e uma meta, a calculadora de verba de tráfego pago devolve o valor em segundos. Ela aceita o custo por lead ou o custo por cliente, e mostra o outro junto: é esse par que deixa você conferir se os dois fazem sentido para o seu mercado.
Se você não conseguiu levantar nenhum número de custo, isso já é a resposta do exercício. Não é a verba que está faltando ser calculada. É a operação que ainda não está sendo medida.
As objeções que aparecem quando esse número não fecha
"Eu não tenho esses números." Você tem dois deles sem procurar: faturamento e número de clientes do mês passado estão no seu extrato e na sua agenda. A taxa de conversão você começa a ter hoje, anotando quantos pedidos de orçamento chegam e quantos fecham. Trinta dias de anotação valem mais que qualquer estimativa de mercado.
"O valor que a conta deu é maior do que eu posso investir." Então a meta é que precisa mudar, não a verba. Reduzir o investimento mantendo a meta não entrega o resultado mais devagar: entrega um resultado diferente, menor, e ainda deixa você sem volume para medir. Ajuste a meta até a verba caber, e trate esse número como o patamar inicial.
"Já me disseram que dá para começar com R$ 20 por dia." Dá para começar, desde que fique claro o que esse valor compra. Com lead a R$ 18, são pouco mais de trinta contatos no mês, e um conjunto de anúncios que provavelmente não sai do aprendizado limitado. É verba de teste, serve para validar criativo e oferta. Não é verba de meta.
"Meu concorrente gasta menos e aparece mais." Aparecer e vender são coisas diferentes, e a sua conta não depende do investimento dele. O concorrente pode ter um ticket maior, uma conversão melhor, uma marca que já é procurada pelo nome ou um canal orgânico que você não vê. Comparar verba sem comparar os outros três números é comparar um pedaço de duas contas diferentes.
"E se o custo por lead que eu usei estiver errado?" Vai estar, no primeiro mês. Por isso o primeiro ciclo é medição, não campanha: você entra com a estimativa, mede o custo real e refaz a conta com ele. O erro que custa caro não é usar uma estimativa no começo. É continuar usando ela no sexto mês.
A virada
Quando Camila finalmente fez a conta, o número que apareceu foi R$ 9 mil, seis vezes o que ela vinha investindo. A primeira reação foi concluir que tráfego pago não era para o tamanho dela.
Não era isso que a conta dizia. Com a verba que ela tinha, a meta compatível não era R$ 60 mil, era cerca de R$ 10 mil por mês vindos de anúncio. O investimento nunca foi insuficiente para o resultado que ele entregava. Ele era insuficiente para o resultado que ela esperava, e ninguém tinha feito essa distinção para ela em quatro meses.
A escolha que apareceu depois disso era outra, e muito mais fácil de tomar: subir a verba até a meta, ou baixar a meta até a verba. Qualquer uma das duas resolve. Continuar com as duas desencontradas é o único caminho que não leva a lugar nenhum.
Verba certa é a que a sua operação consegue transformar em venda
Não existe valor de mercado para investir em anúncio, e quem oferece um sem perguntar nada está chutando com confiança. A conta tem quatro entradas, todas suas: a meta, o ticket, a conversão do comercial e o que custa trazer gente no seu mercado, seja medido por lead ou por cliente.
E o número que sai dela ainda não é a resposta final. Ele precisa caber na margem, porque cliente comprado acima do que ele deixa é prejuízo que cresce com o volume. E precisa caber na equipe, porque lead que ninguém atende já foi pago.
Camila entrou na conversa querendo saber quanto investir. Saiu sabendo outra coisa: quanto a operação dela, do jeito que está hoje, consegue transformar em venda. Esse é o número que decide a verba.
O próximo passo
Faça a conta com os seus números na calculadora de verba de tráfego pago. Ela é aberta, não pede cadastro, e mostra também quantos leads cada pessoa do seu comercial receberia por dia.
Se o resultado abrir uma dúvida que a conta não responde, como qual canal faz sentido para o seu mercado ou por que o seu custo por lead está acima do que deveria, essa conversa cabe num diagnóstico. Levar os quatro números já calculados encurta bastante o caminho.
Fontes
- Meta, Central de Ajuda para Empresas: Sobre o aprendizado limitado
- James B. Oldroyd, Kristina McElheran e David Elkington, Harvard Business Review, v. 89, n. 3, 2011: The Short Life of Online Sales Leads
- Registro do mesmo artigo no repositório acadêmico da Brigham Young University: The Short Life of Online Sales Leads